O músico angolano Pedrito do Bié usou as redes sociais para fazer uma reflexão crítica sobre o atual ambiente político e social em Angola, afirmando que qualquer cidadão que critique a governação é frequentemente rotulado como membro da UNITA, mesmo sem qualquer ligação partidária.
Na publicação, o artista considera que essa prática não acontece por engano, mas como uma estratégia para descredibilizar e silenciar vozes críticas. Segundo Pedrito do Bié, em vez de responder às denúncias sobre corrupção, fome, desemprego e má governação, o poder opta por atacar quem fala, associando-o automaticamente à oposição.
“Criou-se a ideia perigosa de que pensar diferente é crime, exigir direitos é traição e criticar o governo é ser inimigo do país”, escreve o músico, sublinhando que problemas como fome, falta de emprego, ausência de hospitais, escolas, água e energia não têm filiação partidária.
Na mensagem, Pedrito do Bié destaca que jovens desempregados, mães sem condições de alimentar os filhos, estudantes que exigem educação digna e camponeses que denunciam abandono são apenas cidadãos angolanos cansados de sofrer em silêncio, e não militantes de qualquer partido político.
O artista aponta ainda que, ao rotular toda crítica como oposição política, o próprio regime acaba por reconhecer a existência de uma alternativa e de uma resistência social crescente. Para ele, o problema central não está na perfeição ou não da oposição, mas na recusa do poder em escutar, corrigir erros e governar de forma inclusiva.
Pedrito do Bié conclui afirmando que, em Angola, muitos cidadãos são chamados de UNITA não por militância, mas por se recusarem a “viver de joelhos” e por ousarem dizer que algo não está certo. “A consciência não tem partido”, escreve, acrescentando que nenhum rótulo será capaz de calar a verdade enquanto houver um povo disposto a pensar, questionar e exigir os seus direitos.