Recentemente, tem-se observado, em Moçambique, um fenómeno preocupante protagonizado por figuras públicas — jornalistas, influenciadores digitais, músicos, artistas e apresentadores — que utilizam plataformas de grande alcance para proferir ataques contra músicos angolanos e, por extensão, contra o povo de Angola.
O cerne desta retórica baseia-se na exigência de que os músicos angolanos cessem as suas atuações em Moçambique, sob a premissa de que os artistas moçambicanos não possuem o mesmo espaço em território angolano.
Defendem, estes críticos, que a reciprocidade de convites deveria ser mandatória. Contudo, esta visão revela uma compreensão limitada sobre o funcionamento da indústria da música e da economia do entretenimento global.
A perspetiva de mercado e a cultura da aceitação
Em Angola, a cultura de consumo musical é naturalmente plural.
Ao longo de décadas, artistas de Cabo Verde, Brasil, Antilhas, Estados Unidos e da República Democrática do Congo integraram as listas de reprodução e os cartazes de grandes eventos no país. Em momento algum, a classe artística ou o público angolano recorreram ao boicote ou ao discurso de ódio para “exigir” reciprocidade.
O paradigma angolano baseia-se na aprendizagem, na apreciação da qualidade artística e na abertura de mercado, o que, por consequência, permitiu que muitos artistas angolanos conquistassem o seu próprio espaço internacional de forma orgânica, sem o recurso a campanhas de cancelamento.
A pergunta que se impõe é: a partir de que premissa se sustenta a ideia de que um promotor de eventos ou um artista estrangeiro é obrigado a incluir artistas locais apenas por terem realizado um espetáculo no país?
A contratação artística é um processo baseado na procura, no valor de mercado, na identidade cultural e na estratégia de cada promotor.
A omissão das Instâncias Oficiais
O que mais surpreende neste cenário não é apenas a existência de comentários isolados nas redes sociais, mas a institucionalização desta hostilidade. Quando apresentadores e comentadores utilizam tempo de antena em horário nobre — em televisões e rádios — para humilhar e destratar músicos e o povo angolano, estamos perante algo que transcende a liberdade de expressão: trata-se de discurso de ódio.
É legítimo questionar: onde estão o Sindicato dos Jornalistas de Moçambique, o Ministério da Comunicação Social, o Ministério da Cultura e o Ministério dos Negócios Estrangeiros?
O silêncio destas instituições diante de figuras públicas que, sob a capa de “defensores da cultura moçambicana”, disseminam o ódio e a xenofobia, custa acreditar como burros vão para televisão tentando bancar uma de intelectual, invocando coisas que não existem, aplaudidos como grandes pensadores, fazendo os restantes países ficarem preocupados com a taxa de analfabetismo, porque só assim se justifica que indivíduos sem preparo sem ciência, arrogantes, que querem substituir o básico que se aprende em economia num bicho de 7 cabeças é preciso ter mercado para escoar um produto, não se obriga os outros a comprar um produto que não lhes convem em direito em preciso haver vontade do agente, se em Angola não há agente com vontade de consumir músicas moçambicanas, não pode ser o fim do mundo para os moçambicanos, levanta sérias dúvidas sobre a ética profissional e a responsabilidade social nestes meios de comunicação.
O Caminho da Construção versus a Estagnação
Tentar “abrir o Mar Vermelho” através da hostilidade não é uma estratégia de internacionalização; é uma demonstração de ignorância sobre a indústria cultural.
A internacionalização da música moçambicana não se alcança atacando artistas estrangeiros, mas sim através de:
Políticas Públicas Eficazes: Pressão sobre o governo moçambicano para investir na promoção da cultura local no estrangeiro.
Qualidade e Networking: Investimento na profissionalização dos artistas e na criação de pontes comerciais com outros mercados.
Diplomacia Cultural: O respeito mútuo é a base para o intercâmbio cultural.
Em Angola, a música congolesa, brasileira e sul-africana toca diariamente, mesmo sendo raro ver artistas angolanos presentes nas agendas desses países. Em nenhum momento, apresentadores angolanos de renome usaram a televisão para promover boicotes.
Os vossos supostos heróis defensores da cultura moçambicana são autênticos burros, ou doente se quisermos juntar a sociologia neste caso, alguém me mostra um país que é obrigado a convidar músicos de outros países só porque os músicos daquele referido país foram lá fazer shows?
O que os músicos Angolanos investem na música é de longe superior ao que os músicos moçambicanos investem, então é de todo normal que atingem mais mercados, quer pelo investimento, quer pela sorte, em conclusão, é necessário que o público e os profissionais de comunicação em Moçambique compreendam que a verdadeira defesa da cultura não se faz diminuindo o outro, mas sim elevando o seu próprio trabalho.
O ódio gratuito não exporta talento; apenas isola o país e empobrece a imagem de uma nação que, tal como Angola, possui uma riqueza cultural imensa e que merece ser celebrada, e não utilizada como pretexto para.
A probabilidade de Angolanos e moçambicanos tornar-se inimigos de factos, começa a desenhar nisto que muita gente vai olhando como uma mera brincadeira.
Texto: Cláudio Leite Guedes